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Publicado em: THE MUBARACK WAY – 23/02/2009

Calibração é um procedimento que visa estabelecer uma relação entre a medição feita por um instrumento padrão e o instrumento que precisa ser ajustado. Definindo de forma muito simples, calibração é o “acerto” de um instumento de medição. Algo parecido com o ato de acertar um relógio pela hora oficial do país.

Pois pessoas precisam também ser calibradas. Assim como os instrumentos, as pessoas vão incluindo erros em seus comportamentos diários, adquirem vícios e maus hábitos, alteram sua escala de valores, deixam de cumprir procedimentos que sempre cumpriram à risca, relaxam nos cuidados com a aparência, ficam mais preguiçosas etc. O cérebro funciona como uma máquina que, apesar de poderosa, descalibra-se de forma similar a qualquer outra máquina. Sendo assim, a pergunta é: qual o seu procedimento, como gestor, para calibrar as pessoas de sua equipe, isto é, para constantemente trazê-las e mantê-las cumprindo os padrões da empresa, tendo atitudes de acordo com os valores da companhia, respeitando o código de ética da organização? Há vários cursos sobre gestão de pessoas, mas quase nunca se fala sobre este assunto. Treinar pessoas, educá-las, desenvolvê-las, motivá-las, tudo está certo. Mas como calibrá-las? Como mantê-las “na linha”?

Em um curso, um cliente perguntou-me sobre qual era a empresa mais antiga ou de maior sucesso em todos os tempos. Minha resposta foi rápida e fácil: a Igreja Católica. Mais de 2000 anos merecem aplausos e reconhecimento de todos. E uma das melhores práticas que a Igreja tem para ensinar é a Missa. Todo domingo, a repetição de ensinamentos, a revisão da ideologia (doutrina) e a renovação de compromissos. Os mesmos rituais. Durante a semana, os fiéis vão se descalibrando. Pecam, naufragam diante das tentações, afastam-se da doutrina. No domingo, pronto! Todos no prumo outra vez. Confissão, sacramentos, canções, orações, a palavra do padre. Todo mundo alinhado de novo. E assim passam-se dois mil anos. Nas empresas, onde está o “padre”? Onde está a missa? Estou falando do gestor e da reciclagem do treinamento. Gestores, muitas vezes, esquecem as pessoas de suas equipes, mal falam com elas, não transmitem qualquer mensagem de otimismo e de disciplna, não incentivam, não repreendem, nãoligam para os seres humanos que lideram. Não treinam, não retreinam, não sabem dar feedback.

Seria possível imaginar qualquer Igreja onde o padre ou o pastor não falasse com suas pessoas? Seria possível pensar em uma religião sem a missa ou o culto semanal? Não seria! E como podemos pensar em uma empresa onde o gestor não conversa, não orienta, não avalia desempenho, não lidera? Como imaginar uma empresa sem a reciclagem, sem rituais, sem a revigoração dos valores que, afinal de contas, deveriam ser os comportamentos esperados pela organização?

Gestores não entendem por que perdem talentos, por que pessoas com bom potencial arrastam-se no trabalho, por que nem mesmo dinheiro as motiva. Estas mesmas pessoas, à noite, pagam para orar e cantar em alguma Igreja e trabalham de graça. Incompetência de gestores e de empresas que não entendem este simples conceito: cérebros precisam de manutenção, precisam de ajustes, precisam de calibração. Pessoas nunca estão completamente fidelizadas nem treinadas. Gestão é um trabalho incessante, não termina nunca, é desgastante, mas é o único caminho para o lucro. Ser gestor é entender este princípio bastante singelo: gerenciar pessoas é repetir, sem parar, a ideologia da empresa, os seus procedimentos administrativos e técnicos e a importância dos resultados.



Mubarack